Quando recorrer ao empréstimo e como planejar suas finanças?

Reformas urgentes, despesas médicas e dívidas com juros altos são situações que podem justificar o crédito, mas o uso deve sempre ser consciente e planejado

Em momentos de imprevistos ou diante de projetos que exigem investimento, muitas pessoas se veem diante da necessidade de recorrer a um crédito extra. A tentativa de reorganizar as contas ou de tirar ideias do papel acaba levando à busca por soluções rápidas.

Dessa forma, o empréstimo pessoal surge como uma alternativa possível, desde que utilizado com consciência e direcionado para objetivos que realmente façam sentido. Além de socorrer emergências, essa modalidade pode ajudar a substituir dívidas com juros elevados ou facilitar conquistas que trarão algum retorno mais adiante.

Mas antes de qualquer passo, é fundamental organizar o orçamento, revisar todos os gastos e entender como essa nova despesa se encaixará no dia a dia. A seguir, veja como avaliar essa escolha de forma cautelosa.

Quando o crédito faz sentido de verdade?

Existem situações específicas em que contar com um empréstimo pessoal pode fazer diferença. Um problema de saúde que exige atendimento imediato, por exemplo, não pode esperar por uma economia a longo prazo.

Da mesma forma, uma reforma necessária em casa, como a troca de um telhado comprometido, também pode exigir uma solução mais ágil. Outro exemplo são as dívidas com juros elevados, como as do cartão de crédito ou do cheque especial, que podem ser substituídas por uma linha de crédito com taxas mais baixas.

Nesses casos, recorrer a um valor emprestado pode ser mais vantajoso do que deixar a situação se agravar. Quitar uma dívida cara com um crédito mais acessível, além de reduzir os encargos, também ajuda a reorganizar os pagamentos. 

Já no caso das reformas, resolver um problema estrutural de imediato pode evitar despesas maiores no futuro. Porém, é essencial identificar o que é realmente necessário. Gastos por impulso, como viagens ou compras que poderiam ser adiadas, dificilmente justificam o comprometimento da renda por vários meses.

Avaliar antes de contratar: passo essencial

O primeiro passo é avaliar se realmente existe essa necessidade. Algumas perguntas podem guiar essa decisão: há outras fontes de renda que poderiam ser ativadas? É possível cortar gastos temporariamente para levantar o valor? Existe a chance de renegociar dívidas em vez de assumir um novo compromisso? 

Refletir sobre essas possibilidades pode evitar um endividamento desnecessário. Além disso, agir no impulso raramente leva a uma boa escolha. A decisão deve ser baseada na situação financeira atual e também nos próximos meses. O ideal é traçar um cenário, considerando variações de renda, outras obrigações e possíveis imprevistos.

Organizar as contas antes de dar o próximo passo

Ter uma visão detalhada das finanças pessoais é um passo essencial antes de qualquer contratação. Para isso, é indicado listar todas as despesas fixas, como aluguel e contas básicas, e também os custos variáveis, que mudam de acordo com o mês. 

Só com esse mapeamento será possível saber quanto do orçamento pode ser destinado a uma nova despesa. Hoje, existem diversos recursos que ajudam nesse processo. Planilhas eletrônicas, aplicativos de finanças ou até cadernos físicos são boas ferramentas para acompanhar entradas e saídas. 

Com esses dados organizados, fica mais fácil entender se há espaço para o empréstimo sem colocar outras contas em risco. Ainda assim, mesmo quem opta por assumir uma nova parcela precisa manter uma reserva para cobrir emergências futuras.

Saiba calcular o peso das parcelas

Outro ponto importante é entender como as parcelas do empréstimo vão impactar o orçamento. É preciso fazer simulações e calcular se o valor mensal cabe com folga dentro da renda disponível. 

Para isso, existe o conceito de comprometimento de renda, que indica qual percentual da receita pode ser usado com esse tipo de despesa. Em geral, o ideal é que esse limite não ultrapasse 30% da renda líquida.

Vamos a um exemplo simples: se alguém recebe R$ 3.000 por mês, o valor da parcela não deveria passar de R$ 900. Porém, é importante considerar outros compromissos já existentes. Uma nova dívida pode interferir no pagamento de despesas essenciais, como alimentação ou transporte.

Cuidados que mantêm as finanças no azul

Durante o pagamento do empréstimo, algumas atitudes podem ajudar a manter o orçamento equilibrado. A primeira delas é evitar assumir novas dívidas até que a atual esteja quitada. 

Além disso, revisar o orçamento com frequência é essencial. Caso surjam mudanças na renda ou novos gastos obrigatórios, será necessário ajustar os valores para não comprometer o pagamento. 

Nesse processo, ter disciplina e seguir o plano traçado no início ajuda a manter a estabilidade. Mudanças de hábitos, como reduzir despesas supérfluas, também contribuem para atravessar esse período sem abrir mão de outras metas.